Sobre

O Gorda Esporte Clube é um projeto que nasceu em 2017.

Horas depois do momento em que decidi deixar de odiar meu corpo, me amar e dedicar meu tempo às coisas que me são importantes. Entre elas, o esporte. Ser uma mulher gorda que luta ou corre por prazer e não por estética é quase um ato político. Todos os dias são de reafirmação e justificativas. Para contribuir na mudança desse cenário de gordofobia e machismo, resolvi narrar o cotidiano de quem deseja e está se preparando para uma maratona. Em dezembro de 2018, faço 40 anos e quero celebrar essa data correndo 42km. Um km para cada ano de vida e os outros dois pelo dia que eu deixei de me odiar e outro pelo aprendi a me amar.

Essa será minha segunda maratona. A primeira me trouxe até aqui. Foram 38 anos em que odiei cada centímetro do meu corpo por ele ser simplesmente como é. Em todo esse período, desejei correr, lutar, nadar, andar de bicicleta, skate, long board e tudo mais que permitisse estar em movimento. Ser livre.

O corpo gordo tem um estigma e isso me afetou de muitas maneiras. Estive presa. Dentro e fora. Foram anos de depressão silenciosa. Aos que patologizam a gordura, devo dizer que meu peso nunca me fez doente. Mas a gordofobia quase me matou. A criação do Gorda Esporte Clube é a medalha da minha primeira maratona. Foi quando eu entendi, finalmente, que o que as pessoas me diziam/dizem sobre o meu corpo é problema delas e não meu.

Meu corpo, minhas regras.

Meu corpo, meus movimentos, minhas práticas, minhas conquistas.

Meu corpo, minha maratona.