Afinal, o que é representatividade?

Nos últimos dias rolou toda uma polêmica sobre as dançarinas gordas que acompanharam a Anitta em suas apresentações. No clipe de Paradinha, quem aparece é a porto-riquenha Letticia Camacho, na apresentação do Caldeirão do amigo do Aécio, a cantora foi acompanhada por Tatiana Lima e Thais Carla. Essa matéria do BuzzFedd mostra como, quando e onde a Anitta começou a andar com essas mulheres que mal conheço e já amo tanto. Mas, vamos aos fatos.

Qual a polêmica? Bem, tanto no clipe quanto no programa do amigo de Aécio Neves, as bailarinas gordas estavam muito mais vestidas que as dançarinas magras. Já na apresentação seguinte, no Multishow, a Thais Carla usava a mesma roupa que a outra dançarina. Para quem não é gorda(o), a polêmica pode não ter valor, mas para nós, é muito simbólica por mostrar como somos vistas ou invisibilizadas. Mas é também uma chance incrível de nos questionarmos o que é representatividade.

Vestir roupas justas e pretas, sem quase nenhum centímetro de pele à mostra, é a nossa realidade ou, ao menos, a realidade de muitas mulheres gordas. Desde cedo, aprendemos que preto emagrece e que deve ser sempre nossa primeira escolha. Isso nos é dito de tantas formas e de tantas maneiras – “saiba escolher a roupa que te valoriza” – que quando desejamos colocar um pedaço de pele pra fora tem que rolar todo um processo de construção de auto-estima.

É ótimo ver essas mulheres dançando e nos representando? Claro que é. Mas vera Thais Carla de maiô ou short curto na televisão é ainda mais significativo para quem, em algum momento, desejou usar uma cropped e se sentiu ridícula apenas por pensar nisso. (aliás, presente o/).

Pensar a representatividade que quero e preciso tem sido uma constante desde então. Não pode ser de qualquer jeito. Precisa ter valor real.

Mas confesso que não consegui caminhar muito nesse pensamento por nunca ter tido a chance de construir uma imagem saudável de uma mulher gorda. Meu processo de auto-aceitação é recente e ainda estou na fase de olhar e entender que existe beleza em todos os corpos. EM TODOS OS CORPOS. Mas enxergo que colocar uma mulher escondida em tanto pano pra dançar uma música sensual tem uma mensagem bem evidente e não é muito diferente da que ouvi a vida inteira. “Sempre vai existir um cantinho especial e tudo ficará bem desde que você não saia dele”.

É bom dizer ainda que a presença de mulheres gordas em palcos, com roupas curtas e com os corpos em movimento também mostrou que a sociedade não vai ser extinta imediatamente porque nós existimos. Considerando a forma como somos tratadas diariamente, sempre bom lembrar que está tudo bem em ser gorda e ser vista.

Pensar como queremos ser representadas é tão importante quanto lembrar que nós existimos. Aí está a nossa resistência: na construção de uma imagem justa conosco.

(Divulgação/Rede Globo) Onde há preconceito, há mais roupa?

 

 

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